terça-feira, 9 de agosto de 2011

Uma Arte Maravilhosa

 

Li no blog de minha  amiga Dalva o texto de  Rachel de Queiros A arte de ser avó.Gostei demais,o texto foi escrito para  mim é claro . Rachel de Queiros já sabia ,quando o escreveu que eu o leria e  reconheceria como meu.

Como gosto do que é belo e principalmente acredito que divulgar o bonito é antes de tudo uma obrigação, transcrevo abaixo o texto. ei-lo:

A arte de ser avó  

Quarenta anos, quarenta e cinco. Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as sua compensações - todos dizem isso, embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto - mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.

Não de amores nem de paixão; a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos cheios de problemas, que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aqueles que você recorda.

E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis - nisso é que está a oimaravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho a certeza de que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis.

Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos. Se o Doutor Fausto fosse avô, trocaria calmamente dez Margaridas por um neto...

No entanto! Nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, o entrave maior, a grande rival: a mãe. Não importa que ela, em si, seja sua filha. Não deixa por isso de ser a mãe do neto. Não importa que ela hipocritamente, ensine a criança a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha" e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais. No fundo ela é rival mesmo. Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante nos triângulos conjugais. A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe banho, veste-o, embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avó não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto. Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso dos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café, mexer na louça, fazer trem com as cadeiras na sala, destruir revistas, derramar água no gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser - e até fingir que está discando o telefone. Riscar a parede com lápis dizendo que foi sem querer - e ser acreditado!

Fazer má-criação aos gritos e em vez de apanhar ir para os braços do avô, e lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna...

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão defunto desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós com seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto!

E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz "Vó", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade.

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menino - involuntariamente! - bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beicinho pronto para o choro; e depois o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, vó? Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.

Rachel de Queiroz

segunda-feira, 25 de julho de 2011

FAMÍLIA


Adoro família, e creio ser essa a posição da maioria das pessoas.
Família é nosso porto seguro,nosso apoio e motivação para tudo.Mesmo quando estamos longe de nossos queridos eles são nossa referência e nossa prioridade.
Estive conversando com minha filha mais  nova dia desses em que nos sentimos nem sei porque uma nostalgia que nos impele falarmos sobre coisas que talvez muita gente considera piegas.Falávamos justamente sobre como conduzir nossa família de maneira certa e politicamente correta ( odeio essa expressão ).Lembrei-me então de um artigo de Lya Luft 
Interessada na Minha Comunidade,
 no meu país, no outro em geral, em tudo o que faço e escrevo (também na ficção), mostro que sou pelos desvalidos. Não apenas no sentido econômico, mas emocional e psíquico: os sem auto-estima, sem amor, sem sentido de vida, sem esperança e sem projetos. O que tem isso a ver com minha idéia de família? Tem a ver, porque é nela que tudo começa, embora não seja restrito a ela. Pois muito se confunde família frouxa (o que significa sem atenção), descuidada (o que significa sem amor), desorganizada (o que significa aflição estéril) com o politicamente correto. Diga-se de passagem que acho o politicamente correto burro e fascista. Voltando à família: acredito profundamente que ter filho é ser responsável, que educar filho é observar, apoiar, dar colo de mãe e ombro de pai, quando preciso. E é também deixar aquele ser humano crescer e desabrochar. Não solto, não desorientado e desamparado, mas amado com verdade e sensatez. Respeitado e cuidado, num equilíbrio amoroso dessas duas coisas. Vão me perguntar o que é esse equilíbrio, e terei de responder que cada um sabe o que é, ou sabe qual é seu equilíbrio possível. Quem não souber que não tenha filhos. Também me perguntaram se nunca se justifica revirar gavetas e mexer em bolsos de adolescentes. Eventualmente, quando há suspeita séria de perigos como drogas, a relação familiar pode virar um campo de graves conflitos, e muita coisa antes impensável passa a se justificar. Deixar inteiramente à vontade um filho com problema de drogas é trágica omissão. Assim como não considero bons pais ou mães os cobradores ou policialescos, também não acho que os do tipo "amiguinho" sejam muito bons pais. Repito: pais que não sabem onde estão seus filhos de 12 ou 14 anos, que nunca se interessaram pelo que acontece nas festinhas (mesmo infantis), que não conhecem nomes de amigos ou da família com quem seus filhos passam fins de semana (não me refiro a nomes importantes, mas a seres humanos confiáveis), que nada sabem de sua vida escolar, estão sendo tragicamente irresponsáveis. Pais que não arranjam tempo para estar com os filhos, para saber deles, para conversar com eles... não tenham filhos. Pois, na hora da angústia, não são os amiguinhos que vão orientá-los e ampará-los, mas o pai e a mãe – se tiverem cacife. O que inclui risco, perplexidade, medo, consciência de não sermos infalíveis nem onipotentes. Perdoem-me os pais que se queixam (são tantos!) de que os filhos são um fardo, de que falta tempo, falta dinheiro, falta paciência e falta entendimento do que se passa – receio que o fardo, o obstáculo e o estorvo a um crescimento saudável dos filhos sejam eles. Mães que se orgulham de vestir a roupeta da filha adolescente, de frequentar os mesmos lugares e até de conquistar os colegas delas são patéticas. Pais que se consideram parceiros apenas porque bancam os garotões, idem. Nada melhor do que uma casa onde se escutam risadas e se curte estar junto, onde reina a liberdade possível. Nada pior do que a falta de uma autoridade amorosa e firme. O tema é controverso, mas o bom senso, meio fora de moda, é mais importante do que livros e revistas com receitas de como criar filho (como agarrar seu homem, como enlouquecer sua amante...). É no velhíssimo instinto, na observação atenta e na escuta interessada que resta a esperança. Se não podemos evitar desgraças – porque não somos deuses –, é possível preparar melhor esses que amamos para enfrentar seus naturais conflitos, fazendo melhores escolhas vida afora. Lya Luft é escritora Família na revista Veja e tão correto e real que estou postando aqui,claro dando os créditos a “quem de direito”. ( Artigo de Lya Luft-Revista Veja )

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Conto de minha vida real.

É sério o que quero e preciso falar, começando com a palavras bem amenas enquanto o assunto se materializa em minhas linhas aqui sendo ainda só pensamento.

Minha primeira filha,mais velha,início de todo meu sonho de mãe! Você foi desejada e planejada. Amada muito antes até de estar em meu ventre, que a acolheu e abençoou desde o primeiro instante que a soube a caminho. Nunca ,em hipótese alguma acredite que tenha sido diferente,nem aceite que coloquem em sua mente coisas que ficarão para sempre em seu coração .Refiro-me a conversa que nós duas tivemos no sábado e que abalou-me muito mas de forma construtiva porque levou-me a pensar e recordar fatos e acontecimentos passados culminados na época com seu nascimento prematuro e por isso de alto risco. Nasce no dia  16/03/1977, as  18 horas e quarenta e cinco minutos.

Meu organismo não a rejeitou e jamais faria isso porque eu a amava desde o momento que engravidei, jamais deixando que outro sentimento  interferisse nesse. No oitavo mês da gravides fui ao exame normal.de rotina e qual não foi meu susto quando  médico disse-me que meu bebe  chegaria provavelmente aquela noite porque já tinha 2cm de dilatação sendo provável que as contrações começariam logo.

Achei estranho porque não estava sentindo absolutamente nada, mas preparei tudo e internei-me aquela tarde mesmo .

Lembro bem, o dia estava deslumbrante de bonito,apesar do frio que fazia em Valença,mas mesmo assim meu coração estava apertado sentindo alguma coisa errada no ar. Saí do consultório e não sentia nada ,absolutamente nada de dor nem contração.

Internada fiquei o resto daquele dia,14 de março,1977,e continuava sem nada sentir.Dia seguinte,15/03/1977 pela manha o medico veio ver-me e constatou que tinha os mesmo 2cm do dia anterior de dilatação.O dia passou e nada,tudo continuava normalmente e eu já ficando tensa esperando algo ruim mas não sabia explicar o que seria.Minha mãe e minha sogra estavam comigo e ambas bem apreensivas também,sem saber o que esperar.

Veio o final da tarde trazendo o meu medico que examinou-me,constatando os mesmos 2cm de três dias atrás,ficando bem  decepcionado porque ainda tinha quanto de dilatação?

Acredite se quiser! Agora 3cm.Aí a decisão

Amanha, pela manha vou induzir seu parto.E assim o fez no dia seguinte.

Minha querida,se você soubesse o que passei....

UM dia inteiro no soro e nada de você querer vir ao mundo .Talvez tentando dizer que não estava preparada e  que não era ainda sua hora.Por volta das 17 horas vindo examinar-me ele constatou que o trabalho de parto estava evoluindo muito devagar e o bebe só  chegaria  no dia seguinte e talvez  na parte da tarde. Bem, já me alonguei demais ,vamos direto aos finalmente.

Resolvemos então fazer uma cesariana e assim às 18h:35’voce chegou ao mundo fazendo desse um dos dias mais bonitos de minha vida.

Muita coisa aconteceu então,mas isto é história para outra postagem.

 

 

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