Adoro família, e creio ser essa a posição da maioria das pessoas.
Família é nosso porto seguro,nosso apoio e motivação para tudo.Mesmo quando estamos longe de nossos queridos eles são nossa referência e nossa prioridade.
Estive conversando com minha filha mais nova dia desses em que nos sentimos nem sei porque uma nostalgia que nos impele falarmos sobre coisas que talvez muita gente considera piegas.Falávamos justamente sobre como conduzir nossa família de maneira certa e politicamente correta ( odeio essa expressão ).Lembrei-me então de um artigo de Lya Luft
Interessada na Minha Comunidade,
no meu país, no outro em geral, em tudo o que faço e escrevo (também na ficção), mostro que sou pelos desvalidos. Não apenas no sentido econômico, mas emocional e psíquico: os sem auto-estima, sem amor, sem sentido de vida, sem esperança e sem projetos. O que tem isso a ver com minha idéia de família? Tem a ver, porque é nela que tudo começa, embora não seja restrito a ela. Pois muito se confunde família frouxa (o que significa sem atenção), descuidada (o que significa sem amor), desorganizada (o que significa aflição estéril) com o politicamente correto. Diga-se de passagem que acho o politicamente correto burro e fascista. Voltando à família: acredito profundamente que ter filho é ser responsável, que educar filho é observar, apoiar, dar colo de mãe e ombro de pai, quando preciso. E é também deixar aquele ser humano crescer e desabrochar. Não solto, não desorientado e desamparado, mas amado com verdade e sensatez. Respeitado e cuidado, num equilíbrio amoroso dessas duas coisas. Vão me perguntar o que é esse equilíbrio, e terei de responder que cada um sabe o que é, ou sabe qual é seu equilíbrio possível. Quem não souber que não tenha filhos. Também me perguntaram se nunca se justifica revirar gavetas e mexer em bolsos de adolescentes. Eventualmente, quando há suspeita séria de perigos como drogas, a relação familiar pode virar um campo de graves conflitos, e muita coisa antes impensável passa a se justificar. Deixar inteiramente à vontade um filho com problema de drogas é trágica omissão. Assim como não considero bons pais ou mães os cobradores ou policialescos, também não acho que os do tipo "amiguinho" sejam muito bons pais. Repito: pais que não sabem onde estão seus filhos de 12 ou 14 anos, que nunca se interessaram pelo que acontece nas festinhas (mesmo infantis), que não conhecem nomes de amigos ou da família com quem seus filhos passam fins de semana (não me refiro a nomes importantes, mas a seres humanos confiáveis), que nada sabem de sua vida escolar, estão sendo tragicamente irresponsáveis. Pais que não arranjam tempo para estar com os filhos, para saber deles, para conversar com eles... não tenham filhos. Pois, na hora da angústia, não são os amiguinhos que vão orientá-los e ampará-los, mas o pai e a mãe – se tiverem cacife. O que inclui risco, perplexidade, medo, consciência de não sermos infalíveis nem onipotentes. Perdoem-me os pais que se queixam (são tantos!) de que os filhos são um fardo, de que falta tempo, falta dinheiro, falta paciência e falta entendimento do que se passa – receio que o fardo, o obstáculo e o estorvo a um crescimento saudável dos filhos sejam eles. Mães que se orgulham de vestir a roupeta da filha adolescente, de frequentar os mesmos lugares e até de conquistar os colegas delas são patéticas. Pais que se consideram parceiros apenas porque bancam os garotões, idem. Nada melhor do que uma casa onde se escutam risadas e se curte estar junto, onde reina a liberdade possível. Nada pior do que a falta de uma autoridade amorosa e firme. O tema é controverso, mas o bom senso, meio fora de moda, é mais importante do que livros e revistas com receitas de como criar filho (como agarrar seu homem, como enlouquecer sua amante...). É no velhíssimo instinto, na observação atenta e na escuta interessada que resta a esperança. Se não podemos evitar desgraças – porque não somos deuses –, é possível preparar melhor esses que amamos para enfrentar seus naturais conflitos, fazendo melhores escolhas vida afora. Lya Luft é escritora Família na revista Veja e tão correto e real que estou postando aqui,claro dando os créditos a “quem de direito”. ( Artigo de Lya Luft-Revista Veja )
segunda-feira, 25 de julho de 2011
FAMÍLIA
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Conto de minha vida real.
É sério o que quero e preciso falar, começando com a palavras bem amenas enquanto o assunto se materializa em minhas linhas aqui sendo ainda só pensamento.
Minha primeira filha,mais velha,início de todo meu sonho de mãe! Você foi desejada e planejada. Amada muito antes até de estar em meu ventre, que a acolheu e abençoou desde o primeiro instante que a soube a caminho. Nunca ,em hipótese alguma acredite que tenha sido diferente,nem aceite que coloquem em sua mente coisas que ficarão para sempre em seu coração .Refiro-me a conversa que nós duas tivemos no sábado e que abalou-me muito mas de forma construtiva porque levou-me a pensar e recordar fatos e acontecimentos passados culminados na época com seu nascimento prematuro e por isso de alto risco. Nasce no dia 16/03/1977, as 18 horas e quarenta e cinco minutos.
Meu organismo não a rejeitou e jamais faria isso porque eu a amava desde o momento que engravidei, jamais deixando que outro sentimento interferisse nesse. No oitavo mês da gravides fui ao exame normal.de rotina e qual não foi meu susto quando médico disse-me que meu bebe chegaria provavelmente aquela noite porque já tinha 2cm de dilatação sendo provável que as contrações começariam logo.
Achei estranho porque não estava sentindo absolutamente nada, mas preparei tudo e internei-me aquela tarde mesmo .
Lembro bem, o dia estava deslumbrante de bonito,apesar do frio que fazia em Valença,mas mesmo assim meu coração estava apertado sentindo alguma coisa errada no ar. Saí do consultório e não sentia nada ,absolutamente nada de dor nem contração.
Internada fiquei o resto daquele dia,14 de março,1977,e continuava sem nada sentir.Dia seguinte,15/03/1977 pela manha o medico veio ver-me e constatou que tinha os mesmo 2cm do dia anterior de dilatação.O dia passou e nada,tudo continuava normalmente e eu já ficando tensa esperando algo ruim mas não sabia explicar o que seria.Minha mãe e minha sogra estavam comigo e ambas bem apreensivas também,sem saber o que esperar.
Veio o final da tarde trazendo o meu medico que examinou-me,constatando os mesmos 2cm de três dias atrás,ficando bem decepcionado porque ainda tinha quanto de dilatação?
Acredite se quiser! Agora 3cm.Aí a decisão
Amanha, pela manha vou induzir seu parto.E assim o fez no dia seguinte.
Minha querida,se você soubesse o que passei....
UM dia inteiro no soro e nada de você querer vir ao mundo .Talvez tentando dizer que não estava preparada e que não era ainda sua hora.Por volta das 17 horas vindo examinar-me ele constatou que o trabalho de parto estava evoluindo muito devagar e o bebe só chegaria no dia seguinte e talvez na parte da tarde. Bem, já me alonguei demais ,vamos direto aos finalmente.
Resolvemos então fazer uma cesariana e assim às 18h:35’voce chegou ao mundo fazendo desse um dos dias mais bonitos de minha vida.
Muita coisa aconteceu então,mas isto é história para outra postagem.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Escolhas difíceis e outras impensáveis
Olhei a hora somente para saber o dia,hora,minuto, a proposta foi feita.
Não foi nenhuma pproposta de emprego,ou de viagem,sequer uma proposta indecente. Ou ai foi?
Será que foi indecente minha filha ter proposto que eu começasse usar cadeira de rodas para facilitar meu ir e vir do dia a dia?
Meu coração gelou,literalmente.Fiquei uns três a quatro minutos sem responder.Mesmo porque esse tempo mesmo levei para assimilar o que tinha sido falado.
O porque da proposta é simples:meus amigos sabem que sou portadora de Parkinson e os limites que essa doença impõe a seu portador.na verdade não quero participar do assunto.Não esse assunto.
Tem sido difícil conviver com alguns dos limites porque implica em deixar de fazer muita coisa que amo por não poder locomover-me adequadamente em algum momento ( ultimamente tem sido bem menor o espaço entre cada crise ).
Usei em minhas ultimas viagens,no aeroporto porque não consegui mover-me ,mas fora isso não mais.
E o assunto na mesa do jantar continuou,entre meus queridos,sem que eu tivesse coragem de opinar sequer.
Estou em Goiania,casa de minha filha mais velha, e na viagem de vinda usei o tal meio de locomoção.
Quando resolvi falar,senti que minha voz saiu bem mais límpida do que o normal e mais segura do que estava no fundo de meu coração.
Disse aos meus queridos , marido , filha e genro :
Sei de meus limites,e quanto aumentarão dia a dia,mas não vou dando a vitoria assim fácil ao sr Parkinson .As dificuldades serão talvez cada dia maiores,mas estou aprendendo a viver um dia de cada vez a duras penas, mas as vitorias também tem sido boas e claras.E tem mais uma coisa que não estão levando em consideração: espero a cura,e sendo assim não vou deixar que o sr Pk pense que esta me vencendo.
Espero a cura e sei que ela vira,ou melhor já está na esquina,cada vez mais perto de mim e de todos os portadores.
Usar esse meio de locomoção hoje significa não confiar em Deus e Sua misericordia.E eu confio.
Usei a cadeira amiga na vinda para Goiania porque não consigo andar com a rapidez necessária nos aeroportos e isso foi muito do que gostaria pois realmente facilitou-me e muito chegar desse modo ao avião e como estou aqui todos os dias, aguardo sua visita para mostrar-me quem sabe, mais agradecida a Deus por tudo.Farei tudo que preciso para empurrar o sr Pk para bem longe mas o dia e a hora eu nao sei. Mas vira.
Bom feriado a todos.